domingo, 28 de junho de 2026

FRAGMENTOS DE MEMÓRIA PEDAÇOS DE HISTÓRIA - PARTE XVIII.


Enfim, graduado – Os concursos – II.

 

Findava o ano de 1991 e principiava o ano de 1992 quando começaram a circular boatos de que o governo Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), eleito em 1990 para conduzir o estado nos quatro anos seguintes ao pleito, convocaria concurso público para a carreira de professor de primeiro e segundo graus, não por ter sido aquela  a sua vontade política, mas sim, por ser obrigado pelos diplomas legais que sustentavam o regime democrático que, desde então, teria que seguir. Assim sendo, nem ele nem o seu grupo político, conforme o fizera nos seus mandatos anteriores, poderiam inchar o Estado com contratos destinados aos seus apadrinhados, em quaisquer dos seus níveis, para manter a máquina estatal a serviço dos interesses daqueles por meio dos quais eram conduzidas as diversas engrenagens do poder público. Até a promulgação das cartas Federal e Estadual, o acesso ao serviço público e, no caso que aqui interessa refletir, a carreira docente, se dava a partir da distribuição de contratos de trabalho, mediante agenciadores a serviço de parlamentares e/ou lideranças políticas locais que, de acordo com as preferências e os acordos entre as partes, ganhavam o direito de assumir regência nos espaços escolares, independentemente dos níveis de ensino a que se destinassem. Diante das diretrizes emanadas dos dispositivos constitucionais em vigor a partir de 1988 em âmbito nacional e, de 1989, em âmbito estadual, o provimento de vagas destinadas ao serviço público em geral e ao ensino de primeiro e segundo graus em particular, passa a ser feito por meio de concurso público de provas e títulos. Isto significaria, ao menos em tese, isonomia de oportunidades para quantos estivessem em condições de preencher aos requisitos propostos nos editais de convocação e, viessem a demonstrar desempenho regulado por médias, no que respeita à formação específica de cada área em que se inscrevessem. Aliás, cumpre salientar, de passagem, que com o passar do tempo e a construção de diversos atalhos de caráter espúrio, embora nem sempre ilegal, a premissa acima aludida, deixou de ser absoluta, se é que um dia o foi.

José Mário, em sua busca de alcançar um lugar de atuação no campo do ensino regular, campo para o qual, acreditava ter sido preparado durante o tempo em que cursara a graduação, procurara se organizar para enfrentar mais aquele embate e, juntamente com Ticiana que, ao longo do percurso acabou por se tornar  uma sua colega de caminhada acadêmica, pois, se licenciara em Letras na mesma instituição que ele e, se dispusera a estudar consigo, aqueles conteúdos que seriam comuns a ambos. Assim pensando e assim fazendo, ele iniciara os estudos específicos e junto com ela, procurara fazer as leituras mais gerais – sobretudo, aquelas relativas ao que se convencionou chamar “conhecimentos pedagógicos” –, que julgara necessárias, para não dizer indispensáveis  para se fazer em condições para aquele seu primeiro certame.

Foram alguns meses transcorridos entre os boatos de que haveria concurso, a publicação do edital por meio do qual se convocara o concurso, o enfretamento das batalhas inerentes à obtenção da documentação exigida, a inscrição no certame, a preparação intelectual e emocional e, a efetiva realização das provas. Uma verdadeira guerra de nervos se perpetrou nos entreatos daquele concurso. A obtenção da documentação exigida foi, de longe, a mais desgastante daquela refrega. Prova de cegueira; declaração de que a cegueira não era impeditiva do exercício professoral – que deveria ser emitida por um oftalmologista –, eram algumas das exigências extremamente absurdas que José Mário precisaria atender, para que a sua inscrição pudesse ser efetivada. Paralelamente a isto, aquela documentação esdrúxula teria de ser anexada aos demais formulários, compulsoriamente, para que pudesse ter atendido o pleito de dispor de provas em Braille, no transcurso da seleção escrita – e, como se não bastasse, o instituto das cotas ainda engatinhavam e, para José Mário, se fazia um entrave no seu intento de se fazer avaliar, visto que, ele, de per si, sequer queria fazer uso daquele instituto mas, foi, uma vez mais, compulsoriamente inserido nele.

Mas, para além de travar tais batalhas, era preciso estudar. Era preciso revisar conteúdos específicos da História, da Geografia e afins; e, ainda, aprender aqueles outros relacionados à formação pedagógica, que, aliás, José Mário, além de pouco saber, também possuía pouquíssimo interesse neles. Foram horas de estudos e leituras que, de vez em quando, se lhe escapavam, para dar lugar aos enfrentamentos burocráticos que, conforme pensava, tinham como objetivo único, dificultar, o quanto fosse possível, o seu acesso ao espaço escolar regular, quer por meio de tensionamentos que lhe tirassem física e emocionalmente do processo de preparação para o concurso propriamente dito, quer por meio de exigências que ele entendia como descabidas e, por isto mesmo, causando aborrecimento e dispersão.

E, por falar em burocracia, este escrevedor não poderia se furtar a chance de fazer uma digressão, considerando o vivido por José Mário e, quiçá, mais gentes que pretendiam ocupar um espaço no serviço público, sendo o concurso, o único modo por meio do qual seria possível um tal ingresso, uma vez que não dispunham de apadrinhamento nem de redes de proteção e/ou de pertencimento, que lhes ensejasse inserir na engrenagem do Estado. A aludida digressão, diz respeito às dificuldades impostas por aqueles que, uma vez empoleirados no Estado, talvez percebessem – ou, talvez, apenas suspeitassem – que os seus espaços estariam sob ameaça de novos ocupantes que, por sua vez, chegariam amparados em uma seleção “impessoal” e apoiados por uma estabilidade que os protegeriam das idiossincrasias de governos/partidos que viessem a assumir os diversos cargos eletivos. Tal premissa, talvez, presidisse o burocratismo que imperava a condução de processos seletivos, visando desacreditar a sua consecução e a necessidade de sua implementação.  Seria o velho modo de pensar o Estado, intentando dificultar o ingresso de membros que não fossem originados de uma dada casta privilegiada que já constituía e fazia girar ou emperrava a máquina pública, de acordo com os seus interesses, não só pessoais, mas, sobretudo, os interesses corporativos de quem já lá se empoleirara e, não deixaria o espaço assim, tão docilmente, para que os que não pertenciam ao corpo já bem delineado, como o fora até o surgimento dos novos diplomas legais que passaram a reger a coisa pública, no que tange ao Estado baiano, a partir de 1989.

Mas, volte-se aos pelejares de José Mário para se fazer professor do ensino regular. Enquanto se debatia com a obtenção e a organização da documentação exigida para se inscrever no dito certame, fazia-se necessário estabelecer um ritmo de estudos e leituras que lhe permitissem dar conta dos conteúdos inerentes à seleção propriamente dita. Para tanto, seria preciso concentrar-se na realização das tarefas relativas ao que e ao como estudar, também, se fazia necessário conciliar os tempos de dois estudantes que possuíam as suas especificidades de material propedêutico para revisar e/ou apreender. Eles, portanto, precisariam estabelecer um tempo para ambos estudarem o que lhes seria comum: os ditos conhecimentos pedagógicos. E isto, eles procuraram fazer, a despeito das distâncias entre os seus lugares de morada; das inconsistências que possuíam naquelas matérias que estudariam e, principalmente, dos parcos recursos materiais para a aquisição de bibliografia específica, que não estava disponível na única biblioteca que poderiam utilizar – que, saliente-se, efetivamente existia na cidade –, a da Faculdade onde se formaram. Foi também naquele espaço onde eles se estabeleceram para os encontros em que procurariam dar conta do que eles precisariam absorver, no tempo que transcorreria, indelével, até o dia em que estariam diante das questões que teriam de enfrentar, a fim de efetivamente se fazerem avaliar.

Era um domingo de novembro de 1992, no dia 22 para ser preciso, quando José Mário saiu de seu lugar de morada e se dirigiu até o prédio do Brasilino Viegas, que se situava na confluência da rua Alcindo de Camargo com a Marechal Bitencourt, onde até pouco tempo funcionara a conhecida “Feira do Pau” – o aludido prédio ainda continua lá –, com o fito de fazer as provas, depois de meses de expectativas e grande agitação de espírito, uma vez que o rapaz depositara nelas o peso de todo um preparar-se, para além de estar ali, para ele, o salto para a sua autonomia financeira, visto já estar prestes a completar 32 anos, sem quaisquer perspectiva de a alcançar de outra forma, que não a aprovação em um concurso público, conforme já se vem salientando aqui mesmo, neste espaço. Ali chegara no horário estabelecido nos dispositivos inseridos nos regimentos do certame e, procurara se acercar do pessoal responsável pela execução do indigitado, com o fito de saber se tudo estaria em conformidade com as suas necessidades de acesso às provas, conforme estava previsto no edital e nas exigências documentais, que foram todas atendidas por ele. Mas, mal sabia ele que algumas surpresas assaz desagradáveis lhe estavam reservadas para aquele infausto dia. A primeira, se fez logo notar, pelo espanto daqueles que seriam os “responsáveis” pela execução do concurso, que sequer, sabiam que haveria um candidato cego ao certame em causa. A segunda, claro, em decorrência da primeira: nada de prova em Braille; nada de materiais outros adaptados, para que o desgraçado pudesse aceder; e, nada de explicações, informações, escusas das pessoas ou dos setores que (des)organizaram o cujo dito. E, como seria de se esperar de tamanho descaso, nada de encontrar e/ou apresentar uma solução razoável para a situação, visto que, nestes casos, aqueles que são os responsáveis pela execução do concurso, nada são, nada  sabem, nada podem resolver, pois, são meros agentes burocráticos, sem quaisquer poder de decisão e, diria este garatujador, sem quaisquer interesses, que não o de receber o pagamento pelo serviço executado. Afinal, é um a menos para lhes torrar os juízos, em caso de ser aprovado. O fim disto tudo, para o arguto leitor destes arrazoares, nem é preciso que se diga.

Depois de alguma pressão feita por parte de seus colegas, uma professora efetiva do Estado e semianalfabeta – ou como se diria em um falar “politicamente correto”, analfabeta funcional –, que atuaria ali como fiscal de prova, lhe fora  designada como ledora e, o desastre só se tornou mais evidente e, José Mário, saiu daquele espaço, com a absoluta certeza de que aquela não seria a sua vez de se fazer professor do ensino de Primeiro e de Segundo graus, em uma escola pública estadual.

 

Alagoinhas – 28 de junho de 2026 – inverno brasileiro.

 

Professor Jorge Damasceno – historiadorbaiano@gmail.com 

domingo, 21 de junho de 2026

FRAGMENTOS DE MEMÓRIA PEDAÇOS DE HISTÓRIA - PARTE XVII.

 

Enfim, graduado – Os concursos – I.

 

Em mais um evocar de lembranças que envolvem o caminho percorrido por José Mário com o fito de se fazer inserir no “mundo do trabalho”, mundo em que ele se queria – e, mais ainda – precisava tomar parte ativa, na medida mesma da sua necessidade de sobrevivência, este escrevedor apresenta mais um arrazoado onde elenca alguns fragmentos de memórias de um tal percorrer, para o conhecimento e a reflexão dos seus argutos e pacientes leitores. Conforme já se vem apontando em tratados anteriores, a memória é uma ferramenta metodológica que tem adquirido grande importância na reconstrução e na compreensão de processos históricos que, em grande medida, não dispõe de registros documentais completos – e, em alguns casos, tais registros são difusos, desconhecidos  ou inexistentes – e, como tal, tem sido discutida naquilo que  respeita à sua validade na tarefa de desenvolver uma pesquisa que resulte em um produto historiográfico válido. Paloma Aguilar Fernández (1965-), cientista política espanhola, escreveu em “Memoria e olvido de la Guerra Civil Espanhola”, publicada em 1996:

“La historia es la parte del pasado que, de una u otra forma, ha quedado registrada, almacenada en los distintos depósitos de la memoria. Por tanto, la historia es una sección del pasado susceptible de ser recordada a través de documentos y testimonios. El pasado, obviamente, es algo mucho más amplio, inaprehensible e inabarcable” (FERNANDEZ, 1996, p. 35 - 36).

 

Mais adiante, já se reportando ao rememorar de um certo “passado”, Aguilar Fernández assegura que:

 

el recuerdo, en definitiva, no puede ser desvinculado de las circunstancias en que se produce, puesto que la memoria siempre incluye elementos del presente. Por otra parte, como la memoria es algo difuso, en constante evolución y en flujo permanente, resulta evidente que cada vez que se evoca un recuerdo, éste ha de pasar a través de los filtros del presente; por ello, en cada nueva evocación se introducen leves modificaciones, matices nuevos derivados del momento actual (FERNANDEZ, 1996, p. 39).

 

Tal assertiva pode ser reforçada com o que escrevera Bosi 1994, quando assevera que:

“Não há evocação sem uma inteligência do presente, um homem  não sabe o que ele é se não for capaz de sair das determinações atuais.  Aturada reflexão pode preceder e acompanhar a evocação. Uma lembrança é diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito. Sem  o trabalho da reflexão e da localização, seria uma imagem fugidia. O  sentimento também precisa acompanhá-la para que ela não seja uma  repetição do estado antigo, mas uma reaparição” (BOSI, 1994, p. 81). 

 

Portanto, tomando as passagens acima na devida conta, este garatujador intentará trazer neste e nos arrazoados que se seguem, alguns rememorares dos embates enfrentados por José Mário no que tange à sua busca de inserção no serviço público, nomeadamente, no setor do ensino. Até a chegada da tão decantada “Constituição cidadã”, promulgada com grande pompa e circunstância em 05 de outubro de 1988, o “sonho” de se tornar um empregado do Estado e, por conseguinte, a possibilidade de se obter a estabilidade – que o protegeria das intempéries e idiossincrasias de governantes e/ou partidos contrários àqueles que o empregara –, só era realizável, para a grande maioria dos casos, mediante intermediações políticas que, por sua vez, exigia em contrapartida, fidelidade político/eleitoral de quem viesse a ser agraciado por um contrato de professor ou de outras profissões estatais. Tais contratos eram entregues aos felizardos por meio de agentes  e agenciadores políticos, àqueles que fossem indicados para tal, independentemente de sua capacidade e/ou capacitação paro exercício da função para a qual fossem designados a desempenhar na máquina pública.

Desta forma, o diferencial implementado a partir da aludida Constituição, estava baseado em uma novidade, novidade, aliás, há muito reclamada por aqueles que nunca alcançariam o acesso ao serviço público sem a exigência do já bem conhecido “Q.I” – quem indicou? –, que consistia na realização de avaliação “impessoal” de candidatos ao desempenho de cargos e funções públicas. Era o concurso público que se tornava ferramenta obrigatória tanto para o Estado receber os seus agentes, quanto para aqueles que para tal se dispusessem. Era o concurso público que, a partir de então, passava a ser o paladino da moral com a coisa pública, induzindo a ilusão de que, dali por diante, quem ingressasse na função pública, o faria por meio de seu esforço pessoal, de sua capacidade intelectual e, sobretudo, de sua capacitação profissional.

Assim, considerando-se o princípio elementar embutido na ideia de uma seleção impessoal que se imaginara ser um dos fundamentos de um concurso público, para José Mário, se lhe afigurava como uma forma de driblar os obstáculos que, a priori, lhe interditara as tentativas de ingresso nos espaços escolares privados, tendo em conta, na mesma medida, a nova Carta Magna de 1988, que vedava impedir-se que uma pessoa cega, por exemplo, fosse admitida no serviço público, uma vez aprovada para tal. Tendo tais considerações em mente, ele passara a se preocupar em estar preparado para enfrentar aquele novo tipo de desafio, embora ele não imaginasse que não dependeria só do seu desempenho intelectual ou do seu domínio temático e propedêutico, para se fazer aprovar em tal ou qual certame.

Entretanto, pelo fato de tudo aquilo ser muito novo para ele e, por ser um indivíduo, um tanto ingênuo, admita-se, que cria nas instituições – e, apesar de saber que eram elas feitas e dirigidas por sujeitos que nelas mantinham os seus interesses e, que tudo fariam para que se lhes não escapassem das mãos – para ele, ainda não estava claro, que a subjetividade dos avaliadores; que a objetividade no atendimento às especificidades de candidatos que precisavam de material especializado; que a organização  - mais ainda, a desorganização – da realização dos concursos, tão ansiosamente esperados por ele e um sem número de outros indivíduos que pretendiam e/ou precisavam ingressar no serviço público, definiriam a aprovação e, mais precisamente, a reprovação nos ditos eventos, muito mais do que o seu desempenho na realização das provas propostas para tal.

Diante de tudo aquilo, José Mário passara a buscar formas por meio das quais pudesse se cercar de material de estudos, leitura e reflexão, com o fito de se aprofundar em temas que não ficaram bem fixados e, com isto, procurar se preparar adequadamente para aquela nova maneira de enfrentar a busca por um lugar na docência de história, em um primeiro momento, no setor do Estado onde se iria lidar com os alunos do primeiro e do segundo graus. Nem de longe lhe passava pelas pretensões pleitear o ingresso no ensino superior, uma vez que para tal não se sentia – e de fato não estava – capacitado. Entendia ele que, para tanto, precisaria fazer uma profunda revisão de tudo que vira na graduação, sobretudo, nas matérias aonde foram mais superficiais os conteúdos apresentados. Até chegara a elaborar um roteiro por  meio do qual pensara em desenvolver a dita revisão. Mas, o momento era de inserir-se no trabalho. O que ele imediatamente necessitava era obter os meios de subsistir: um provento que lhe permitisse obter o sustento para si e para aquela que até ali o sustentara de tudo que os seus parcos ganhos permitiram. E, enfim, o Estado da Bahia, já sob a égide da “Constituição Cidadã”, depois de um bom par de anos, realizaria o primeiro concurso para ingresso de professores no Primeiro e Segundo graus. Para José Mário, aquele seria o primeiro concurso que prestaria com o objetivo de iniciar a sua carreira como professor.

 

Alagoinhas – 21 de junho de 2026 – inverno brasileiro

 

Professor Jorge Damasceno – historiadorbaiano@gmail.com 

domingo, 14 de junho de 2026

FRAGMENTOS DE MEMÓRIA PEDAÇOS DE HISTÓRIA - PARTE XVI.

 

Enfim, graduado – Introdução (fim).

 

Em mais um feixe de fragmento de memória de um tempo já distante mas, ainda não passado e, portanto, sujeito às escolhas feitas no presente, pretende-se trazer mais um pedaço da história de José Mário, no que respeita ao seu processo de busca de inserir-se no espaço laboral para o qual, ao menos em tese, ele estaria preparado para atuar. Tal feixe de memórias, aqui apresentado em fragmentos escavados nas profundezas de camadas já bem espessas de quem viveu todo aquele embate intensamente travado, no sentido de alcançar se fazer aceito enquanto professor, não só formado mas, principalmente, exercendo efetivamente à docência, ressalte-se, nos espaços escolares. Conforme postula Jacques Le Goff (1924-2014), ao discorrer sobre a memória, ele afirma que: “A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções  psíquicas, graças às quais o homem pode atualizar impressões  ou informações passadas, ou que ele representa como passadas.” (LE GOFF, 1996, P. 423). Isto quer dizer que “a memória”, embora esteja em consonância com elementos psicofisiológicos, igualmente está condicionada às representações inerentes àquele que busca nela o lastro para firmar aqueles lembrares que escolhe trazer à sua narrativa, quer por meio da escrita, quer por meio da exposição oral. Ao propor elementos que balizam a memória, Paul Ricöeur (1913-2005), em uma obra monumental intitulada “A Memória, a História, o Esquecimento”, aponta que a “memória” pode ser entendida em pelo menos dois flancos. Diz ele:

 

“[...].De um lado, as lembranças distribuem-se e se organizam em níveis de sentido, em arquipélagos, eventualmente separados por abismos, de outro, a memória continua sendo a capacidade de percorrer, de remontar no tempo, sem que nada, em princípio, proíba prosseguir esse movimento sem solução de continuidade. [...]” (RICÖEUR, 2007, p. 108).

 

E, Ecléa Bosi (1936-2017) destaca o caráter evocativo dos rememorares, quando assevera que “[...], a lembrança pura, quando se atualiza na  imagem-lembrança, traz à  tona da consciência um momento único, singular,. _não repetido, _irreversível, da vida. Daí, também, o caráter não  mecânico, mas evocativo, do seu aparecimento por via da memória. [...].” (BOSI,  1994, p. 49).

Desta forma, conforme já se houvera percebido ao se deparar com as situações anteriormente já apontadas, a batalha que José Mário precisaria enfrentar para alcançar o seu objetivo seria ainda mais intensa, na medida em que era um caminho a ser percorrido rumo à sua sobrevivência, bem como, no sentido de se desenvolver nos demais transitares da vida humana: trabalho, salário, constituição de família e prole. Sem o primeiro e mais essencial deles, não se conseguiria obter os demais, ao menos, no que concerne à responsabilidade   econômica e ética, tanto para consigo, quanto para quem viesse a tomar parte do seu caminhar social. Não obstante a aspereza do solo que precisaria palmilhar; a escassez dos recursos, assim técnicos como financeiros, bem como de acesso à leitura indispensável para o ofício, tanto no que concerne à aquisição de obras didático-historiográficas, quanto aos meios que permitissem a contratação de pessoal de apoio como ledores; a despeito das portas que lhe foram batidas na cara em todo aquele percorrer de espaços escolares, fez-se necessário insistir em enfrentar as situações e as circunstâncias que se lhe impunha a sociedade, aquela mesma que era proclamada como plural e disposta a propiciar as oportunidades àqueles que as buscassem. Embora José Mário já se tivesse apercebido de ser aquela uma proposição falaciosa, era necessário continuar empregando todo esforço de sua parte, a fim de que tal falácia fosse desnudada em forma de publicizar as mentiras calcificadas no sistema que, em uma prática bem diversa daquilo que queria fazer crer, inferia recusas a que um candidato que não se enquadrava nos padrões já estabelecidos e secularmente consolidados, embora diplomado em uma das suas engrenagens, que se queria participar nela como um dos seus “dentes” ou de suas “correias” de transmissão.

Naquele mesmo ano de 1992, José Mário empreendera mais uma tentativa de atuar no ensino de primeiro e segundo graus, buscando intermediação de um amigo em comum entre ele e dirigentes de uma escola em acelerada ascensão na cidade, cujo objetivo era se equivaler a duas outras que já estavam bem consolidadas há mais tempo. Aquele estabelecimento de ensino para o qual o recém-formado pretendia se candidatar a uma de suas vagas, surfava bem na onda do avanço experimentado pelo setor privado da educação, mormente nos últimos anos da década de 1970, chegando aos anos 1990 em plena expansão. Era notório que, as consideradas “Ciências duras” além daquelas elencadas entre as que dariam forma ao discurso e, portanto,  áreas nas quais estavam inseridas as matérias que preparariam os alunos para competir nos “melhores” e mais cobiçados cursos do ensino superior, eram os agentes de propulsão daquela escalada de crescimento que, geravam não só o surgimento daquelas instituições, assim como a procura por elas, por parte de endinheirados e/ou “remediados”, que não mais queriam os filhos frequentando aquelas escolas públicas nem os queriam misturados àquela gente periférica que, majoritariamente ali eram amontoados em salas apinhadas e ensinados por professores mal formados e, sempre propensos à greves, o que, pensavam eles, reduziria as chances de ingresso em cursos como os de medicina, direito, odontologia, engenharias... Para atuar naquelas áreas tidas e havidas como mais importantes do conhecimento propedêutico, os professores que pretendessem tomar parte no corpo docente em tais instituições, eram escolhidos adrede e, ao que se sabe, muito bem pagos. Mas, também, deles era exigida formação específica e, sobretudo, destaque em outras escolas por onde houvessem passado.

No entanto, para as outras matérias, consideradas secundárias, tanto pelos pais, quanto pelos donos das escolas privadas, quase não havia exigência de formação específica, significando que, tendo o postulante o diploma de algum curso superior – em alguns casos, ainda licenciandos foram admitidos naqueles estabelecimentos –, estava garantida a sua admissão entre aqueles que comporiam o seu corpo docente. Conhecendo aquele descompasso entre o querer se tornar escola de excelência e descuido com que tratava a área de humanas, José Mário apresentou-se como sendo um candidato adequado para ocupar a vaga de História, recentemente aberta pela saída de um seu colega que, noves fora a sua indiscutível competência para o exercício professoral, ainda estava cursando a licenciatura em História. Assim pensando, levara a um amigo comum das duas partes, aquele mesmo curriculum Vitae que encaminhara para a Cooperativa Educacional de Salvador e para a Fundação José Carvalho, conforme episódios já comentados em postagens anteriores, para que fosse entregue à direção daquela escola em ascensão. José Mário procurara evitar o contato direto com o pessoal responsável pela contratação de professores, pelo fato de serem conhecidos uns dos outros, com o fito de evitar constrangimentos, visto que, ele já suspeitava que não seria aceito para tomar parte daquele corpo docente, pelas razões já expostas páginas atrás, agravadas por terem sido colegas em alguns momentos dos seus respectivos cursos e, evidentemente, por conhecer um pouco do modo como aquelas pessoas pensavam e, sobretudo, por partilharem, tal qual os demais dirigentes de outros estabelecimentos privados, de uma leitura de mundo em que o professor cego estaria em dissonância com a prática professoral.

Assim como ele pensara e expressara tal pensar ao intermediário que levaria o curriculum Vitae, assim fora. Ao retornar com a resposta negativa, trouxera igualmente a justificativa já apresentada nas investidas anteriores. Ele não conseguiria manter os alunos na sala, o que nos obrigaria a contratar uma outra pessoa para tanto; ele teria dificuldades em lidar com a concentração dos alunos, uma vez que não usaria o quadro de giz, que não usaria o retroprojetor ou o slide. A surpresa para José Mário, ficou reservada a um argumento que ele não contava lhe fosse desfavorável, principalmente, vindo de dirigentes que pretendiam levar a sua escola ao topo do padrão já alcançado pelas demais:

- Ele não gosta de trabalho em grupo. Eu estudei com ele algumas matérias e, observei a sua resistência a trabalhos de equipe.

Isto, ele confessava ao seu interlocutor: de fato, surpreendeu. Surpreendeu por entender que trabalho de grupo – ou em equipe, como se queira –, nada mais é do que uma forma de muitos passarem  em uma ou mais matérias, semestrais ou anuais, pelo esforço de poucos. Ora, alguém faria uma prova de vestibular ou de acesso ao serviço público, agrupados em equipes? Seja como for, aquele foi o argumento mais incompreensível para não receber um professor para lecionar em seu estabelecimento.

 

Alagoinhas – 14 de junho de 2026 – outono brasileiro.

 

Professor Jorge Damasceno – historiadorbaiano@gmail.com 

domingo, 7 de junho de 2026

FRAGMENTOS DE MEMÓRIA PEDAÇOS DE HISTÓRIA - PARTE XV.


Enfim, graduado – Introdução (Segue).

 

Em mais um feixe de arrazoares, desenvolvidos a partir de rememorares elaborados a partir de mergulhares em camadas espessas e profundas de sedimentos depositados nos cantos e recantos de memória em que o “passado” se recusa a passar, este garatujador procurará discorrer sobre o caminhar de José Mário, no seu intento de ocupar um lugar de trabalho no espaço escolar, que, conforme já se apontou em tratados anteriores, é um meio excludente por natureza, tanto no que tange à sociedade que o forjara, quanto no que se relaciona à atividade ali levada à termo. Não obstante já se haver passado mais de trinta anos entre o que José Mário vivera em seu afã de ocupar o lugar de atuação para o qual, ao menos teoricamente, ele fora preparado e as reflexões aqui propostas, este escrevente arrisca afirmar que, aquelas situações e/ou mesmo aquelas circunstâncias, ainda estão sendo vivenciadas por tantos quantos se candidatem a atuar como professor, independentemente de qual escola seja procurada para tal, sendo ele um sujeito a quem falte o brilho dos olhos ou, como se diz jocosamente, aqueles que tenham os “faróis queimados”. Para estes nunca há vagas; e, quando as há, elas nunca lhes são destinadas, pois, conforme justificam os seus donos, elevará a despesa do contratante, que, ainda conforme procuram explicar, precisarão contratar outro profissional para o “ajudar”. Nem mesmo confrontados com os diplomas legais que tornaram  obrigatória a destinação de um percentual de vagas para os desprovidos de algum dos sentidos, elas são camufladas em outras destinações, nunca, porém, para a sala de aulas, mesmo que, digam retoricamente, acreditam ser o candidato capaz, competente... E, se faz necessário salientar, de passagem, que o descompasso entre o que dizem as leis e o que se faz na prática, não se restringe à educação privada. O modo de pensar é o mesmo, tanto ali, quanto alhures. O setor público da educação não tem um padrão de ação muito diferente do setor privado. Afinal, a educação, em quaisquer níveis ou setores, é tocada por pessoas que tem um modo de pensar acerca das pessoas cegas, ou mesmo, aquelas outras a quem falta algum dos sentidos, ressalvadas as necessárias exceções – que apenas confirmam a premissa –, como pessoas que trarão dificuldades ao funcionamento da sua escola ou, daquela que dirige ou coordena.

No tratado escrito e postado anteriormente, se disse que duas situações vividas por José Mário seriam trazidas à lume, com o fito de demonstrar aos leitores aquilo que se vem postulando há algumas páginas e, que de tanto afirmar, talvez se esteja fazendo repetitivo: o espaço escolar em particular e a educação como um todo são permeados pela exclusão, visto que os seus elementos de padronização – social, econômica, cultural, religiosa  – são pensados e estruturados de modo a deixar de lado tudo aquilo que não se encaixe em sua forma de funcionamento e, todos aqueles que não o possam acompanhar em sua plenitude, excluindo os diferentes e marginalizando os divergentes. A primeira das aludidas situações foi relatada no arrazoado anterior, quando José Mário se dirigiu a uma escola em que havia uma vaga para ocupação imediata mas, ao se apresentar para a ocupar, mesmo tendo se certificado de que ainda não o fora, ouviu a mentira deslavada dos proprietários, que afirmaram não mais existir a dita vaga, embora, tenham falaciosamente dito que o candidato teria qualidade/capacidade para a assumir.

A segunda situação poderia ser apresentada em duas circunstâncias, visto que elas se dão separadas por um intervalo de tempo não muito grande entre si. Em 1992, ao que parece, houve um grande incremento do número de instituições privadas de ensino de primeiro e segundo graus em Salvador. Junto com o crescimento exponencial do número daquele tipo de estabelecimentos escolares privados, deu-se uma abrupta majoração dos preços de suas mensalidades e, conforme se noticiava à época, um aumento abusivo dos itens que compunham o pacote obrigatório do material que era compulsoriamente entregue no ato da matrícula ou, na melhor das hipóteses, nos primeiros dias após o início das aulas. Tudo isto, levou a uma grita geral daqueles soteropolitanos endinheirados que queriam manter o status de ter os seus filhos em escola particular e, não os queria enviar para – ou manter - na escola pública que, via de regra,  era o espaço pouco a pouco ocupado pelos filhos do trabalhador, que alcançava o direito de estudar.

Saliente-se que, até bem pouco tempo antes daquele momento de explosão do número de escolas privadas, o cidadão de classe média da capital baiana, mantivera os seus filhos na educação pública que, sobretudo no período da ditadura militar brasileira,  começava a perder força   e interesse de governadores e prefeitos – e talvez por isto –  o setor perdera qualidade e tivesse paulatinamente decaído muito em sua credibilidade, sobretudo, à medida mesma em que o seu público passara a ser formado majoritariamente pelos filhos da periferia, tanto econômica, quanto social soteropolitana. As instituições privadas se apresentavam como alternativa àqueles que não queriam os seus filhos respirando os mesmos ares e, recebendo as mesmas instruções que eram dadas àqueles que deveriam ser adestrados para o trabalho e, além disto, tais instituições, procuravam se apresentar como confiáveis, no que respeita ao cumprimento de um calendário extenso e regular, também oferecendo um maior número de possibilidades temáticas e propedêuticas, que diferenciaria aqueles que ali fossem matriculados, inclusive, focando suas ações no acesso aos melhores e mais cobiçados cursos de nível superior.

Considerando-se o cenário brevemente descrito, depois de uma agressiva campanha contra os preços elevados das mensalidades e do excesso de itens que deveriam acompanhar o ingresso do estudante no setor privado de ensino, chegando-se mesmo a usar uma música de Gilberto Gil, “Nos Barracos da Cidade”,  como mote da campanha em programas de rádio como o “Balanço Geral”, veiculado na rádio Sociedade da Bahia, cujo trecho mais forte e mais tocado dizia “[...]. Mas a usura desta gente, já virou um aleijão [...]. Ôôô, ôô, gente estúpida, ... gente hipócrita [...]”, o que dava uma boa noção da agressividade da campanha contra as instituições privadas, sobretudo, contra os preços por elas praticados. Tal campanha foi encetada na imprensa soteropolitana com grande repercussão nos meios empresariais do ramo da educação, o que fez com que os proprietários das escolas se  reunissem em grupos patronais, com o fito de defender as suas posições e firmar os seus empreendimentos naquele mercado que lhes parecia – e era – promissor e, se lançaram ferozmente na defesa daquilo que acreditavam ser de direito: a irredutibilidade dos seus lucros.

Desta forma, no mesmo rádio em que José Mário ouvira o desenvolvimento e a repercussão da campanha Aberta contra o que era então denominado abuso dos preços cobrados pelas instituições privadas de ensino, ele também ouvira falar do surgimento de uma cooperativa educacional que, na prática, diziam os seus idealizadores, faria frente àquele abuso e, proporcionaria preços “justos”, pela entrega de uma educação de “qualidade” para os filhos de quem aderisse àquela ideia. Ao mesmo tempo, em contraposição às instituições alvos da campanha da imprensa, tanto em relação aos preços cobrados, quanto ao soldo pago aos seus profissionais, aquela cooperativa se apresentava como quem pagaria o salário justo aos profissionais por ela contratados. José Mário, no seu modo ingênuo e crédulo de perceber as coisas; em meio às suas dificuldades de desconfiar das pretensas “boas intenções”; em meio à sua ainda baixa capacidade crítica, sobretudo, relacionada ao mundo forjado por e para aqueles que se apresentavam como os paladinos da correção e da retidão,, pensara estar ali a grande chance de iniciar a sua carreira docente, não obstante a dificuldade primeva para aquela empreitada, o fato de não morar em Salvador. Conforme sempre se dera com ele em circunstâncias parecidas, José Mário estava disposto a enfrentar aquele obstáculo, acreditando que, depois de alguns meses de recebimento de salários no espaço de trabalho, levantaria aquele obstáculo e se proveria de algum lugar de residência, até que se pudesse firmar na carreira que pretendia principiar.

Assim pensando, ergueu-se em uma madrugada de fins de fevereiro ou inícios de março daquele ano de 1992, a fim de se dirigir até o bairro da Federação, para ali, se apresentar como postulante a uma das vagas para ensinar História na tal cooperativa. Depois de ter enfrentado as dificuldades inerentes aos usuários de transportes coletivos, lá chegara e, tendo entrado no estabelecimento, deu-se conta de que fora inserido na fila de pais que ali se fizera para efetivar a matrícula de seus filhos – note-se que o fato de ser uma pessoa cega, não era impeditivo para se fazer cliente. Chegada que fora a sua vez de ser atendido, esclarecera à pessoa que atendia em uma espécie de triagem que, ali se encontrava para se candidatar a uma vaga de professor e não, como um pretendente a vaga de estudante para seu filho, que aliás, nem ainda possuía, nem mesmo em projeto, embora, já o desejasse. Desfeito o mal-entendido, fora encaminhado para o setor onde deveria receber uma ficha para ser preenchida na categoria de pretendente a professor e, no ato de devolvê-la, anexar um “Curriculum Vitae”. Para começar é preciso que se diga que, , sequer ele teria condições técnicas de preencher aquela ficha, uma vez que teria a necessidade de alguém que, ao menos, a lesse para que pudesse responder/preencher adequadamente; o “Curriculum Vitae”, embora ainda muitíssimo magro, ali estava consigo; mas, não o poderia anexar à ficha vazia. Então, o que fazer em tais circunstâncias? Restava voltar para Alagoinhas; ali, conseguir alguém que lesse e o ajudasse a preencher a tal ficha e, a ela, anexar o dito curriculum; depois, voltar ao prédio da dita cooperativa e entregar o material solicitado. Tudo isto feito, o resultado foi uma espera de chamada para entrevista que nunca se efetivou.

Isto se deu, concluiu mais tarde José Mário, apenas pelo fato de ser ele cego, embora tivesse no seu curriculum Vitae os mesmos elementos que a maioria dos postulantes da mesma vaga a que ele se apresentara como quem pretendia ocupar uma dentre elas e, que, certamente, tiveram êxito em suas pretensões, diferentemente dele que, só não possuía a visão, o que fora fundamental para não ter a sua candidatura considerada, sequer para a entrevista. Como já vão longas as linhas dedicadas a uma das circunstâncias que aqui se pretendia rememorar, ficará para o próximo arrazoado a consideração da segunda dentre elas, que, embora tenha alguns dos seus fundamentos basilares parecidos com os que aqui foram destacados, apresentam algumas especificidades que talvez, valha a pena trazer ao juízo do arguto e paciente leitor destas linhas.

 

Alagoinhas – 07 de junho de 2026 – ainda outono brasileiro.

 

Professor Jorge Damasceno – historiadorbaiano@gmail.com